Projeto trabalha acesso a cidadania dentro da Penitenciária Feminina

Temas são abordados como ação de inclusão social.

Por meio do projeto Informa Cidadão, detentas da Penitenciária de Feminina de Teresina têm a oportunidade de trabalhar temas sociais dentro do espaço prisional. A ação tem reunido dezenas de reeducandas oriundas de situações sociais de risco que veem na penitenciária um espaço para construir uma nova vida.

Depois de participar de uma palestra do Informa Cidadão e tirar suas dúvidas com a assistência social do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) convidada para a palestra, a interna Jaciane Raquel descobriu que sua família tinha acesso a um benefício do governo.

“Foi muito importante para mim pois não sabia dos direitos maternos, tenho uma filha menor, de 16 anos, que tinha direito ao auxílio gravidez durante os nove meses e durante o seis meses após o parto. Estou presa e a gente tem muita necessidade e isso para mim foi de uma grande informação. Eu só tenho a agradecer porque se não fosse através desse projeto eu nunca iria saber disso e iria ficar por isso mesmo”, contou a detenta.

O benefício que contemplou a família de Jaciane dá acesso ao pré-natal, ao enxoval e material de limpeza para o recém nascido nos primeiros meses de vida. Diante dos percalços da vida, foi na penitenciária que a piauiense obteve a informação.

Para a assistente social Dyanny Sales, coordenadora do Informa Cidadão, o projeto de ressocialização tem o objetivo de levar informação e conhecimento sobre alguns temas relevantes para a realidade das detentas. “Esse projeto surgiu a partir de diversas demandas e questionamentos que chegavam no setor de Serviço Social da Penitenciária Feminina”.

O primeiro ciclo do Informa Cidadão será realizado entre os meses de junho e julho. A palestra de abertura abordou o direito e a acessibilidade ao programa Bolsa Família. “Nós vimos a importância de trabalhar esse tema para informar e viabilizar o acesso a esse direito das internas, tirar algumas dúvidas a respeito da atualização cadastral da movimentação que elas tinham que fazer em seu cadastro e outras dúvidas”, explicou Dyanny.

O secretário de Justiça, Daniel Oliveira, acredita no papel reintegrativo da inclusão social. “A Sejus tem desenvolvido projetos que asseguram aos reeducandos e reeducandos condições para serem reintegrados em suas comunidades, através de três pilares: educação, profissionalização e trabalho. Isso contribui para uma ressocialização através da cidadania”, destacou.

O projeto tem mais três ações. A segunda ação, prevista para o dia 28 de junho, vai trabalhar o tema do Auxílio Reclusão como garantia de proteção da família da reeducanda, com a participação do pesquisador Maurício Gomes da Costa, do Juizado Especial. Na terceira palestra serão debatidas as formas de prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Para concluir o ciclo será abordada a temática do uso nocivo de álcool e outras drogas e seus impactos à sociedade.

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