Presidente do CRM-PI diz que redução de leitos nos últimos 10 anos no interior do Piauí deve-se à má distribuição e falta de equipe médica especializada


Ratificando os resultados de uma pesquisa divulgada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em julho deste ano, foi divulgado nesta semana um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e Ministério da Saúde, revelando que nos últimos oito anos o Brasil perdeu mais de 23 mil leitos hospitalares. Isto representa uma média de seis leitos para internação de pacientes desativados por dia no país. No Piauí, 14,6% de leitos hospitalares foram desativados em municípios fora de Teresina, esta, por outro lado, teve um aumento de 5,27% leitos, o que não chega a ser uma boa notícia, tendo em vista a sobrecarga de pacientes que são encaminhados de centenas de municípios do Piauí e do Maranhão para a capital.
O dado positivo da pesquisa da CNM e MS é que o Piauí é o único estado brasileiro a apresentar cobertura total na Atenção Básica à Saúde em 2018. Uma política pública que vem sendo bem trabalhada, já que todo o Estado tem acesso à atenção primária na detecção e tratamento de doenças pelo SUS. Estados como São Paulo, essa cobertura só chega a 60%.
A presidente do CRM-PI, Drª Mírian Palha Dias Parente, informou que em todo o país realmente milhares de leitos hospitalares foram fechados, entre 2010 e 2018. Ela informou que o principal problema que mais afeta a população está na pouca oferta de leitos de alta complexidade, que incluem as UTIs e semiUTIs. Isso porque as filas principalmente para cirurgias graves aumentam, colocando em risco a vida de pacientes que têm pressa. Ela informou que em algumas cirurgias, como as neurológicas, faz-se necessário a presença de leitos de alta complexidade, porque certamente o paciente neurológico precisará do mesmo principalmente no pós operatório. No caso de leitos obstétricos, que também são um grande problema principalmente nos municípios fora a capital, também é necessário leitos de UTI, principalmente para atender a demanda dos casos mais complexos de gravidez. “O grande problema dos leitos obstétricos do interior do Piauí, às vezes, não é só a falta de leito, mas a falta de equipes de saúde especializadas, pois faltam anestesistas, obstetras, neonatologistas, intensivistas; não adianta ter o hospital com equipamentos montados, é primordial haver equipes médicas especializadas e escala bem dividida”, frisou.
FOTO: Míriam Parente
Segundo a pesquisa da CNM, em 2008 o Piauí possuía 4.927 leitos hospitalares nos municípios e em 2018 este número caiu para 4.246. A redução da quantidade de leitos do SUS (Sistema Único de Saúde) ao longo dos dez anos no interior piauiense foi de 14,60%. Este dado coloca o Piauí como o segundo Estado do Nordeste que mais perdeu leitos hospitalares na última década. O primeiro lugar é ocupado pelo Estado da Paraíba, que reduziu o número de leitos em 21,41%.
A presidente do CRM-PI também informou que em fiscalizações foram observadas a má distribuição de leitos hospitalares em alguns municípios e a subutilização dos mesmos. Por que está havendo a subutilização é o questionamento que fica. Existem municípios que precisam mais de leitos do que outros e, somando-se à falta de profissionais especializados, existe a sobrecarga para a rede na capital. “Uma melhor distribuição de leitos nos municípios, com profissionais qualificados de saúde, de forma a desafogar a capital, é uma política a ser trabalhada”, sugere a Drª Mírian.

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