Google é acusada de abafar casos de assédio sexual

Uma longa reportagem publicada hoje (25) pelo New York Times afirma que a Google abafou casos de “conduta sexual imprópria” por parte de executivos de alto escalão da empresa. De forma mais específica, a empresa não demitiu ninguém em casos envolvendo os nomes de Andy Rubin, criador do Android, e de Amit Singhal, ex-executivo do buscador, e pagou muito dinheiro quando eles resolveram sair.

Segundo o NYT, Andy Rubin era casado com uma mulher que conheceu na Google e teve romances com funcionárias da Google enquanto esteve na empresa, inclusive com mulheres que trabalhavam diretamente sob a sua gestão. Uma das situações trata de um relacionamento extraconjugal com uma funcionária entre 2012 e 2014, quando ele deixou a companhia.

“Em 2013, ela deu um gelo nele e quis terminar tudo, mas estava preocupada com a sua carreira”, afirma o jornal citando pessoas inteiradas do caso. “Em março daquele ano, ela concordou em encontrá-lo em um hotel, onde ela diz que ele a forçou a fazer sexo oral, afirmam. Esse incidente pôs um fim à relação.”

A reportagem explica que Rubin tinha o hábito de tratar os seus subordinados como “estúpidos e incompetentes”, algo que nunca foi coibido por parte da Google. A empresa apenas tomou uma posição quando membros da equipe de segurança da companhia encontraram vídeos de sexo sadomasoquista no computador de trabalho de Rubin, revelam três atuais e ex-executivos da empresa.

Escândalo sexual envolvendo Andy Rubin, o criador do Android, foi abafado pela Google, afirma reportagem. (Fonte: Joi Ito)

Bônus por má conduta?

Segundo as fontes, naquele ano, o criador do Android teve o seu bônus reduzido. Entretanto, elas garantem à reportagem do NYT que a Google investigou o incidente de 2013 apenas um ano depois, o que garantiu a Rubin um bônus significativo de US$ 150 milhões em forma de ações.

O pagamento foi feito enquanto a investigação acontecia e é tratado como “consideravelmente volumoso” mesmo para os padrões da empresa. Oficialmente, ele foi feito  porque o CEO da Google na época, o cofundador da empresa Larry Page, entendia que o criador do Android nunca havia sido devidamente recompensado por sua contribuição.

As investigações concluíram que a denúncia feita pela funcionária abusada por Rubin era crível e Page solicitou que ele pedisse demissão. Além de não ser demitido de forma sumária, Rubin recebeu da Google outros US$ 90 milhões a serem pagos em parcelas durante quatro anos, garantem duas pessoas com conhecimento dos termos de demissão do executivo.

Outro caso

O caso de Amit Singhal, vice-presidente sênior da empresa e chefe da equipe do buscador, foi semelhante. Segundo o NYT, ele foi acusado de apalpar uma funcionária durante um evento da Google para os funcionários da empresa. Apesar de julgar a acusação feita pela trabalhadora como procedente, a empresa não demitiu o executivo.

Quando ele pediu demissão, conseguiu negociar uma indenização milionária para deixar a empresa e não trabalhar em companhias rivais.

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A Google se posicionou oficialmente sobre a denúncia, divulgando um email enviado aos seus colaboradores e assinado por Sundar Pichai, CEO, e Eileen Naughton, vice-presidente de People Operations. Confira a mensagem na íntegra a seguir:

“Olá a todos,
A história de hoje no The New York Times foi difícil de ler.

Estamos decididos a garantir que fornecemos um local de trabalho seguro e inclusivo. Queremos te garantir que analisamos todas as queixas sobre assédio sexual ou conduta inadequada, investigamos e agimos.

Nos últimos anos, fizemos uma série de mudanças, incluindo uma linha cada vez mais rígida na conduta inadequada de pessoas em posições de autoridade: nos últimos dois anos, 48 pessoas foram demitidas por assédio sexual, incluindo 13 que eram gerentes seniores e acima. Nenhum desses indivíduos recebeu um pacote de saída.

Em 2015, lançamos o [email protected] e nosso Relatório Anual de Investigações Internas para fornecer transparência sobre esses tipos de investigações no Google. Como sabemos que denunciar assédio pode ser traumático, fornecemos canais confidenciais para compartilhar qualquer comportamento inadequado que você experiencie ou veja. Apoiamos e respeitamos aqueles que se manifestaram. Você pode encontrar muitas maneiras de fazer isso em go/saysomething. Você pode reportar de forma anônima, se desejar.

Também atualizamos nossa política para exigir que todos os VPs e SVPs divulguem qualquer relacionamento com um colega de trabalho, independentemente da posição ou da presença de conflito.

Temos o compromisso em garantir que o Google seja um local de trabalho em que você possa se sentir seguro para fazer seu melhor trabalho e onde haja sérias consequências para quem se comportar de maneira inadequada.

Sundar e Eileen”

Olá a todos,

A história de hoje no The New York Times foi difícil de ler.

Estamos decididos a garantir que fornecemos um local de trabalho seguro e inclusivo. Queremos te garantir que analisamos todas as queixas sobre assédio sexual ou conduta inadequada, investigamos e agimos.

Nos últimos anos, fizemos uma série de mudanças, incluindo uma linha cada vez mais rígida na conduta inadequada de pessoas em posições de autoridade: nos últimos dois anos, 48 pessoas foram demitidas por assédio sexual, incluindo 13 que eram gerentes seniores e acima. Nenhum desses indivíduos recebeu um pacote de saída.

Em 2015, lançamos o [email protected] e nosso Relatório Anual de Investigações Internas para fornecer transparência sobre esses tipos de investigações no Google. Como sabemos que denunciar assédio pode ser traumático, fornecemos canais confidenciais para compartilhar qualquer comportamento inadequado que você experiencie ou veja. Apoiamos e respeitamos aqueles que se manifestaram. Você pode encontrar muitas maneiras de fazer isso em go/saysomething. Você pode reportar de forma anônima, se desejar.

Também atualizamos nossa política para exigir que todos os VPs e SVPs divulguem qualquer relacionamento com um colega de trabalho, independentemente da posição ou da presença de conflito.

Temos o compromisso em garantir que o Google seja um local de trabalho em que você possa se sentir seguro para fazer seu melhor trabalho e onde haja sérias consequências para quem se comportar de maneira inadequada.

 

FONTE: TecnoMundo

POR: Cláudio Fortes

 

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